Incidência política de pescadores e pescadoras artesanais participantes do Projeto de Educação Ambiental (PEA) Pescarte
DOI:
https://doi.org/10.59901/2358-6516/v28n1a5Palavras-chave:
Participação social, Educação ambiental, Projeto Pescarte, Comunidades pesqueiras, Articulação comunitáriaResumo
A participação social no Brasil é uma construção permanente dentro do sistema democrático, especialmente para as comunidades pesqueiras, que enfrentam desafios marcados pela história social do país. Este trabalho analisa as ações educativas do Projeto de Educação Ambiental Pescarte, criado como uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal e em vigor na Bacia de Campos (RJ) desde 2014. O objetivo principal do projeto é promover o engajamento de pescadores e pescadoras artesanais em espaços de discussão de políticas públicas, fortalecendo sua inserção em instituições participativas nas esferas municipal, estadual e federal. Foram mapeadas as instituições em que os participantes do Projeto Pescarte atuam e analisados os impactos dessa participação no cotidiano das comunidades pesqueiras de dez municípios da área de abrangência do projeto. As respostas de um survey aplicado pelo Projeto Pescarte, que contou com 252 participantes, revelam as transformações geradas pela participação política desses grupos e destacam os desafios enfrentados nesse processo. Ao incentivar a formação política e a organização coletiva, o Núcleo de Autonomia e Incidência Política (Naipa) do Projeto Pescarte desempenha um papel fundamental no fortalecimento das comunidades pesqueiras, promovendo a participação social e a garantia de direitos fundamentais.
Referências
ALENCAR, Joana et al. (2013). Participação social e desigualdades nos conselhos nacionais. Sociologias, v. 15, p. 112-146.
ALENCAR, J. L. O. et al. Participação social no governo federal (2003-2011): olhares sobre a institucionalização participativa. Brasília: Ipea, 2013. (Texto para Discussão, n. 1826).
ALMEIDA, Carla; TATAGIBA, Luciana. (2012). Os conselhos gestores sob o crivo da política: balanços e perspectivas. Serviço Social & Sociedade, p. 68-92.
AVRITZER, Leonardo.(2007). Sociedade civil, instituições participativas e representação: da autorização à legitimidade da ação. Dados, v. 50, p. 443-464.
BRASIL. (1981). Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6938.htm#art10. Acesso em: 12 dez. 2025.
BRASIL. (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 12 fev. 2026.
BRASIL. (1999). Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1999]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9795.htm. Acesso em: 11 fev. 2026.
BRASIL. (2025a). Lei nº 15.190, de 8 de agosto de 2025. Dispõe sobre o licenciamento ambiental; regulamenta o inciso IV do § 1º do art. 225 da Constituição Federal; altera as Leis nºs 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 (Lei dos Crimes Ambientais), 9.985, de 18 de julho de 2000, e 6.938, de 31 de agosto de 1981; revoga dispositivos das Leis nºs 7.661, de 16 de maio de 1988, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; e dá outras providências. Brasília: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2025/Lei/L15190.htm#art63. Acesso em: 12 dez. 2025.
BRASIL. (2025b). Promulgação de partes vetadas da Lei nº 15.190, de 8 de agosto de 2025. Brasília: Presidência da República. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2025/Lei/L15190.htm#promulgacao. Acesso em: 12 dez. 2025.
CLEAVER, Frances. (1999). Paradoxes of participation: questioning participatory approaches to development. Journal of International Development, v. 11, n. 4, p. 597-612.
CONAMA. (1986). Resolução nº 01, de 23 de janeiro de 1986. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Disponível em: https://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/MMA/RE0001-230186.PDF. Acesso em: 12 fev. 2026.
CONAMA. (1997). Resolução nº 237, de 19 de dezembro de 1997. Dispõe sobre a revisão e complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 247, p. 30841-30843, 22 dez. 1997. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/composicao/secex/dea/pnea. Acesso em: 11 fev. 2026.
FERREIRA, Hueliton da Silveira. (2021). A governança na gestão das unidades de conservação da Amazônia: o SNUC em questão. 2021. Tese (Doutorado em Geografia) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão.
FREIRE, Paulo. (2005). Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
FONSECA, Alexandre Brasil. (2010). Conselhos de políticas públicas e participação democrática. Rio de Janeiro: Editora FGV.
HAYWARD, Chris; SIMPSON, Lyn; WOOD, Leanne. (2004). Still left out in the cold: problematising participatory research and development. Sociologia Ruralis, [s. l.], v. 44, n. 1, p. 95-108. Disponível em: https://doi.org/10.1111/j.1467-9523.2004.00264.x. Acesso em: 30 jun. 2025.
KALIL, Ana Paula Maciel Costa; FERREIRA, Heline Sivini.(2017). A dimensão socioambiental do estado de direito. Veredas do Direito, v. 14, n. 28, p. 329-359.
LAVALLE, A. G.; HOUTZAGER, P. P.; CASTELLO, G. (2006). Representação política e associações civis: novos mecanismos de legitimidade no Brasil contemporâneo. Caderno CRH, Salvador, v. 19, n. 46, p. 43-66.
NAIPA. (2024). Núcleo de Autonomia e Incidência da Pesca Artesanal (Naipa). Projeto Pescarte, 2021-2024. Disponível em: https://drive.google.com/drive/folders/1K2q4NWOSlq6ko8Rjlg1KjdnuJ9yqXE5K?usp=sharing
QUINTAS, J. S. (2005). Introdução à Gestão Ambiental Pública. Brasília: Edições IBAMA.
ROCHA, Enid. (2008). A Constituição Cidadã e a institucionalização dos espaços de participação social: avanços e desafios. In: VAZ, Flavio Tonelli; MUSSE, Juliano Sander; SANTOS, Rodolfo Fonseca dos. (Orgs.). 20 anos da Constituição Cidadã.
SANTOS, B. S.; AVRITZER, L. (2002). Para ampliar o cânone democrático. In: SANTOS, B. S. (org.). Democratizar a democracia: os caminhos da democracia participativa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 39-82.
SAYAGO, D. A. (2007). A invenção dos conselhos de desenvolvimento territorial no Brasil. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, Taubaté, v. 3, n. 2, p. 77-96.
SILVA, Leonardo Patrick Souza et al. (2022). Juventude e modo de vida no contexto do projeto PEA Pescarte.
WENDHAUSEN, Águida; CAPONI, Sandra. (2002). O diálogo e a participação em um conselho de saúde. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 36, n. 3, p. 362-371.