Mobilidade espacial, demografia e desigualdade no Norte Fluminense

  • Elzira Lúcia de Oliveira
  • Gustavo Henrique Naves Givisiez
Palavras-chave: Mobilidade espacial; Demografia; Desigualdade; Norte Fluminense

Resumo

Este trabalho explora a dinâmica de mobilidade espacial na e para a região Norte Fluminense, que, em função de descoberta dos campos de petróleo na Bacia de Campos, teve no desenvolvimento desta atividade o divisor de águas e o ponto de inflexão na base econômica regional. A região transformou-se em um eldorado das oportunidades de trabalho, atraindo desde os anos 1970 até 2010 significativos fluxos migratórios. Sendo assim, faz-se uma leitura da região por meio da análise dos fluxos migratórios definitivos e temporários com destino aos municípios da região; dos indicadores de desigualdade e do perfil produtivo. Os indicadores de desigualdades utilizados será o índice de Gini. Para identificar o perfil de especialização produtiva utiliza-se o quociente locacional (QL). Constatou-se crescimento populacional excepcional em alguns municípios de região, nomeadamente em Rio das Outras, Macaé, Cabo Frio, Quissamã e Carapebus, tendo a migração
um papel importante neste crescimento. Destacou-se o papel positivo da migração representado pela maior escolaridade do migrante relativamente à população local e pelo efeito na estrutura etária da população, o que proporcionou um relativo bônus demográfico na estrutura etária da região como um todo. Observou-se um fluxo contínuo diário de trabalhadores, principalmente entre Rio das Ostras e Macaé. Os fluxos com duração superior a um dia, ocorreu em maior proporção, entre Campos dos Goytacazes e Macaé. Existe ainda uma troca diária entre Campos dos Goytacazes e São João da Barra, em decorrência das obras e operação do Porto do Açu. O índice de pendularidade aponta a formação de cidades-dormitório no entorno de Macaé. O tocante à desigualdade observa-se nítida concentração de renda nos decis mais ricos da população e o alto índice de Gini.

Publicado
2016-11-16