'Lugar de pesquisador é na empresa'
DOI:
https://doi.org/10.59901/r1krd382Palavras-chave:
Inovação, Empreendedorismo, Políticas de ciência, tecnologia e inovaçãoResumo
Ele ajudou a fundar e dirigiu algumas das iniciativas mais importantes do país na área da inovação, como o Parque Tecnológico da UFRJ, a Incubadora de empresas da COPPE-UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia) e a ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores). Além destas ações, foi também presidente da Iasp (International Association of Science Parks and Areas of Innovation). Para Maurício Guedes, é preciso assumir a inovação como uma das obrigações da universidade pública, dotando a área de orçamento, concursos e carreira. O entrevistado é uma espécie de filho do Pró-Álcool, uma inovação tecnológica brasileira de repercussão internacional, e cita as pesquisas sobre fixação biológica de nitrogênio — conduzidas pela professora Johana Döbereiner, já nos anos 1960 — como a maior inovação científica que o Brasil ofereceu ao mundo. “Com essa tecnologia, o Brasil economiza bilhões de dólares na importação de fertilizantes nitrogenados”, lembra. No momento da realização dessa entrevista, Maurício Guedes responde pela Superintendência de Inovação e Sustentabilidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços do Rio de Janeiro, onde se dedica, entre outras tarefas, a estreitar o contato entre os meios acadêmico e empresarial. Diz que fez isso durante muito tempo na universidade e que agora está em uma secretaria com um histórico de relacionamento com empresas, mas com uma relação “muito, muito, muito limitada” com universidades. Ciente dos avanços e gargalos, alimenta uma esperança: com a simplificação trazida pela reforma tributária, as empresas brasileiras deixarão de contratar “batalhões de advogados tributaristas” e vão se conectar com o mundo da inovação. Guedes não propõe a adoção de qualquer modelo bem-sucedido no exterior, mas defende uma mudança de mentalidade que inclua as empresas como destino provável para os estudantes de mestrado e doutorado. “O Brasil é recordista mundial de concentração de pesquisadores nas universidades, (...) enquanto nos países desenvolvidos e que têm se desenvolvido nos últimos anos de 70% a 80% dos pesquisadores estão em empresas. E esses pesquisadores não são infelizes (...). Eles produzem vacinas, produtos e serviços inovadores que melhoram a vida das pessoas, ganham prêmios Nobel e movimentam a economia”. Confira a entrevista:
Referências
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