Identidade narrativa e decolonialismo em Diário de Bitita, de Carolina Maria de Jesus

  • Maria Clara Machado, Ma. Sorbonne Nouvelle e Universidade de Brasília
Palavras-chave: Carolina Maria de Jesus, Decolonialidade, Escrita de Si

Resumo

Este artigo analisa a importância da obra literária de Carolina Maria de Jesus para além dos aspectos documentais reconhecidos pela crítica convencional. Para tanto, recompomos traços da “identidade narrativa" construída pela autora, à luz do conceito cunhado por Paul Ricoeur. Ao longo do texto, desenhamos um painel cronológico da vida e da obra dessa autora, situando-a no tempo em que viveu e no espaço de publicação que ocupou, inscrevendo-a como sujeito histórico, em constante transformação de seu tempo. Assim, levamos em consideração sua condição de mulher negra e pobre, mas não apenas. Sabendo que as questões extratextuais, como a de autoria, sempre foram determinantes para a publicação e para a recepção crítica das obras literárias no Brasil. Neste artigo, questionamos como tais questões, apesar de contribuírem para uma visão original e enriquecedora da representação de si e da sociedade brasileira na obra de Jesus, foram, ao mesmo tempo, condição de limitação da interpretação crítica de seu trabalho. Ao final, apontamos como, apesar de serem exemplos de um apagamento estrutural, Carolina de Jesus e sua obra impõem-se à invisibilidade num país ainda ancorado numa estrutura patriarcal e colonialista.

Biografia do Autor

Maria Clara Machado, Ma., Sorbonne Nouvelle e Universidade de Brasília

Doutoranda em Literatura dos Países Lusófonos pela Sorbonne Nouvelle, sob orientação da professora doutora Claudia Poncioni, e em Literatura pela Universidade de Brasília, sob co-orientação da professora doutora Regina
Dalcastagnè

Publicado
2019-08-13