Conversas de final de vida

um processo social complexo

  • Oriana Rainho Brás
  • Alexandre Cotovio Martins
Palavras-chave: Conversas de final de vida, Cuidados paliativos, Profissionais de saúde

Resumo

As conversas de final de vida são elementos fundamentais do trabalho diário em cuidados paliativos. Em trabalho anterior (MARTINS ET AL., 2021) abordamos, exploratoriamente, a condução destas conversas nos cuidados paliativos em Portugal, concluindo que se trata de um processo social complexo. Mais do que um único momento de conversa entre médico/a e paciente, as conversas de final de vida desenrolam-se no tempo, envolvendo um amplo leque de intervenientes – paciente, familiares, profissionais de saúde, voluntários – tornando-se visível a coordenação entre profissionais de saúde e outros trabalhadores envolvidos na prestação de cuidados aos doentes, de forma a garantir a consistência da comunicação (idem). Além disso, as conversas de final de vida envolvem estratégias interaccionais específicas devido à necessária abordagem do delicado tema da morte (MARTINS & BINET, 2020). Neste artigo, desenvolvemos as dimensões da temporalidade e coordenação, e chegamos a uma definição do conceito de conversa de final de vida focada no seu processo. Temos por base observação etnográfica e entrevistas a profissionais de saúde de uma equipe intra-hospitalar de cuidados paliativos de um hospital público da região de Lisboa, em Portugal, decorridos entre Setembro de 2019 e Fevereiro de 2020, no âmbito do projeto ETIC (PTDC/SOC-SOC/30092/2017), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, Portugal. Da recolha de dados resultaram notas de campo, gravações áudio de reuniões de equipe e outras interações entre profissionais, bem como de telefonemas com pacientes e seus familiares e com outros profissionais de saúde da rede de cuidados paliativos.

Publicado
2021-12-31
Seção
Artigos