Carolina Maria de Jesus

uma estrangeira em nossa literatura?

  • João Ximenes Neto
Palavras-chave: Carolina Maria de Jesus, Literatura brasileira, Escritora negra, Estrangeira

Resumo

No início da década de 1960, uma mulher pobre, negra e favelada surgiu no cenário da literatura brasileira para contar as condições de vida numa favela em São Paulo através do seu diário. Quarto de despejo: diário de uma favelada nasceu em 20 de agosto de 1960 e foi escrito por Carolina Maria de Jesus: a mulher que veio da favela para se tornar reconhecida como poeta e escritora. Sobre os caminhos trilhados até que a “estranha” e desconhecida mulher negra e favelada se firmasse como uma das mais importantes escritoras negras do Brasil, destacamos Quatro de Despejo para falarmos sobre a escritora Carolina Maria de Jesus, com base na figura da “estrangeira” associada à de “estranha”, de acordo com o título sugestivo do livro Falando com estranhos: o estrangeiro e a literatura brasileira (2016), coletânea de ensaios críticos e textos ficcionais organizada por Godofredo de Oliveira Neto e Stefania Chiarelli, que revê a tradição literária nacional pelo ponto de vista do estrangeiro. Nesse livro, a palavra “estrangeiro” é utilizada com sentido de imigrante, viajante, o indivíduo que é de outro país, proveniente de uma outra nação. Nesse trabalho, expandiremos esse conceito metaforicamente para entender que Carolina Maria de Jesus é uma autora “estrangeira”, vinda da favela para construir sua própria imagem de poeta e escritora um ambiente não literário.

Publicado
2019-10-17