Chamada de Artigos - Dossiê: "Processos políticos na América Latina" - Vol 15. N. 02, Jul - Dez -2020

2020-01-31

Organizadores:
Dr. Hugo Borsani Cardozo(UENF)

Dra. Soraia Marcelino Vieira (UFF)

 Prazo para submissão: 15/07/20

 Prazo para publicação: 30/12/20

A década dos 80 do século XX foi protagonista de transições para a democracia na maior parte dos países da América Latina. Nesses anos, a maioria das nações latino-americanas emergiu de um longo período de ditaduras militares. Em alguns casos isso significou um processo de recuperação das tradições institucionais arraigadas (fundamentalmente no Chile e no Uruguai), enquanto em outros se deu o início de uma institucionalidade democrática não experimentada, ou pouco experimentada, anteriormente. Desde então, a maioria dos países da região tem vivido o mais longo período democrático da sua história. Nessa fase foram experimentados diferentes tipos de alternâncias políticas, que em alguns casos implicaram a chegada ao governo de partidos e setores sociais que até então não tinham logrado esse êxito. Porém, essa estabilidade democrática não esteve livre de conflitos institucionais e sociais. De fato, nesse período a região também foi palco de vários processos de impeachment e de renúncias de presidentes, em alguns casos após intensa convulsão social. Em vários países aconteceram também mudanças significativas dos sistemas de partidos, assim como amplos processos de reformas constitucionais. O surgimento de líderes populistas, uma velha tradição latino-americana, também esteve presente ao longo desse período em vários países da região e com diferentes perfis ideológicos. Desde o populismo “neoliberal” dos anos 1990 — cujos exemplos mais característicos foram os governos de Menem, na Argentina, e de Fujimori, no Peru —, seguido pelo populismo do “socialismo bolivariano” de inícios do século XXI (com os governos de Chávez e Maduro, na Venezuela, como os mais nítidos expoentes), até as expressões mais contemporâneas como o populismo ultraconservador de Bolsonaro, no Brasil. Junto com esses processos populistas, sempre objeto de ampla controvérsia, a polarização política é atualmente outra das características observáveis em vários países da região, com reflexos na governabilidade e estabilidade política. A corrupção em grande escala, a judicialização da política, a fragmentação dos sistemas partidários, as dificuldades dos governos de contar com maiorias estáveis, a renovação (ou não) das elites políticas e a influência das redes sociais são outros tantos exemplos de processos políticos de primeira ordem atualmente nas democracias latino-americanas. Mais recentemente, as manifestações e revoltas populares de grande dimensão e intensidade — tanto em países cujos regimes são questionados como democracias (Nicarágua, Venezuela), quanto em outros considerados democracias plenas (Chile, Equador) — constituem outro dos múltiplos fenômenos políticos que desafiam e questionam, com diferentes intensidades, a democracia na América Latina.
Com o intuito de abordar alguns desses e outros processos políticos de relevância na região, a revista Terceiro Milênio, do Programa de Pós-graduação em Sociologia Política da UENF e da Fundação Darcy Ribeiro, abre chamada de artigos para o dossiê Processos políticos na América Latina. Podem ser encaminhos trabalhos com diferentes recortes e perspectivas analíticas e metodológicas sobre os diferentes tipos de processos políticos que vêm se observando na região desde a redemocratização dos anos 1980. Serão bem-vindas tanto análises referentes a um país específico como trabalhos comparados, seja entre dois ou mais países, ou abrangendo a América Latina na sua totalidade. As regras para publicação na revista podem ser encontradas na seção Diretrizes para autores
A chamada de artigos para este dossiê está aberta até o dia 15 de julho de 2020. As contribuições serão aceitas em português e espanhol, exclusivamente por meio da plataforma revistaterceiromilenio.uenf.br.